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Espiritismo e política podem andar juntos?

Publicado por 31 de agosto de 2016 Opinião 14 Comentários
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 “E quem governa seja como quem serve”. Jesus – Lucas, 22:26

 

Responda se for capaz:

  • Deve o espírita esforçar-se para cumprir os seus deveres de cidadão e exercer os seus direitos políticos?
  • A Doutrina Espírita conscientiza a criatura humana, levando-a a tornar-se um “homem de bem” no sentido global?
  • Haverá alguma relação entre Espiritismo e Política?
  • Que têm feito as Instituições Espíritas para favorecer o processo de conscientização sócio política dos seus frequentadores?
  • Qual o posicionamento do espírita frente a questões como violência, menores abandonados, educação, desemprego, racismo, discriminação social. O que podemos fazer em nosso âmbito para combater esses problemas?

Vamos Conversar

A transformação íntima só se torna efetiva e verdadeira quando ela é irradiada para a coletividade em que estamos inseridos. O Espiritismo nos fala da realidade do espírito e do seu processo evolutivo, ensinando-nos que a felicidade é uma construção individual e coletiva. Ninguém conseguirá ser feliz com o seu derredor emitindo gritos de carências e lágrimas de dores. Ninguém será feliz sozinho ou rodeado de poucos Algumas pessoas, no meio espírita, reagem de maneira negativa e, às vezes, até assustadas quando se fala em política, demonstrando desinformação e preconceito. Existe até um tabu de que Política entra em confronto com o zelo doutrinário. Na realidade a Política é bem mais abrangente e está presente em tudo que o homem realiza. Todos nós somos políticos. Há mais de 2000 anos o filósofo grego Aristóteles escreveu que o homem é um “animal político” e não estava brincando.

Reflexões sobre espiritismo e politica

Haverá alguma relação entre Espiritismo e Política? Sobre o aspecto filosófico, o Espiritismo tem a ver e muito com a Política, já que esta deve ser a arte de administrar a sociedade de forma justa. Consequentemente, o espírita não pode declinar da sua cidadania e deve vivenciá-la de forma consciente e responsável. O Brasil sempre foi alvo de muitas esperanças. Falava-se em país do futuro, em berço da nova civilização e nos meios espíritas, em Coração do Mundo e Pátria do Evangelho. O grande problema é que os brasileiros nunca demonstraram grande empenho para alcançar concretamente esses títulos. Boa parte dos trabalhos de ciência política no Brasil traz uma característica marcante: a constatação de que a sociedade brasileira é dependente do Estado e que não tem apego a valores como democracia, liberdade e igualdade. Não tem tradição de participação, de reivindicar seus direitos. A sociedade é uma das maiores responsáveis pelos males que a atingem. Somos um País que não se conscientizou de que depende da sociedade colaborar na resolução de muitos problemas dos quais o Estado não consegue dar conta. O Brasil só vai poder dizer-se Pátria do Evangelho quando der os primeiros passos na construção de uma sociedade realmente democrática, justa e fraterna. Quando, enfim, os brasileiros olharem para a sociedade e perceberem que fazem parte dela. Se uma pessoa está sofrendo, em um determinado local, todos sofrem, pois os problemas dela acabam nos atingindo de uma maneira ou de outra, seja por meio da violência ou dos mecanismos econômicos mais complexos.

E vamos mais adiante

E o que tem a ver o Espiritismo com isso? O espírita tem em suas mãos instrumentos poderosos de participação (e de transformação) da sociedade: as federativas, os centros espíritas, as instituições específicas, os órgãos de comunicação. Podem, no mínimo, auxiliar na mudança de mentalidade de seus adeptos. Sabemos que Kardec recomendou aos centros que deixassem de lado as questões políticas. Mas essa afirmação significa que não devemos trazer para o centro espírita as campanhas e militâncias partidárias, pois o lugar para o seu exercício é no seio das agremiações e locais respectivos. Assim, jamais o Espiritismo, como Doutrina, e o Movimento Espírita, como prática, poderão dar guarida a um partido político em seu seio, por exemplo: Partido Social Espírita, Partido Espírita Cristão, etc. As questões políticas decorrem dos próprios princípios do Espiritismo. A partir do momento em que se fala em reforma moral, em mudança de visão do mundo, em desapego dos bens materiais, prática da caridade, etc. fala-se sobre política. Principalmente, quando se fala em transformação da sociedade, como aparece a todo o momento na Codificação (particularmente no capítulo final da Gênese), estamos falando de política.

Mais um passo

Em que consiste a missão dos Espíritos Encarnados? – Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais. (Questão n º 573 de O Livro dos Espíritos). De se entender, então, que não pode o espírita alienar-se no seio da sociedade em que vive, com a desculpa de que Espiritismo e Política não têm nada que ver, pois é preciso lembrar que a vida material e a vida espiritual são dimensões contínuas da própria Vida. O homem tem que progredir, e isolado ele não tem condições disso, já que seu progresso depende dos bens que lhes são oferecidos pela família, pela escola, pela religião e demais agências sociais. Para o espírita, essa ação política deve ser sempre inspirada nos princípios expressos pelo aspecto filosófico do Espiritismo, que o levam a amar e, nesse caso, amar é desejar o bem; logo, a exteriorização política do Amor é a expressão do querer bem e do agir para o bem de todos. A ação política dos bons é um imperativo na hora atual. O Espiritismo apresenta conceitos claros e precisos para essa atuação. A nova geração marchará, pois, para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado. Avançando para o mesmo alvo e realizando seus objetivos, o Espiritismo se encontrará com ela no mesmo terreno. Aos homens progressistas se deparará nas ideias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens, espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo. (A Gênese).

Continuando nosso bate papo

O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pelas generalidades das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados. (A Gênese). O Espiritismo trabalha com a educação. Esta é a base da própria Doutrina, pois, para praticá-la, temos de nos educar. E a educação tem um conteúdo extremamente político, pois muda nossa forma de ver o mundo e de agir nele. Assim, é cada vez mais importante que os centros espíritas percebam a importância de discutir os assuntos da realidade concreta. Não estaremos fazendo política no aspecto partidário, mas sim auxiliando na conscientização dos espíritas sobre como entender a sociedade e agir nela de uma forma crítica e consciente. Com uma visão crítica baseada nos princípios espíritas. Qual o posicionamento do espírita frente a questões como violência, menores abandonados, educação, desemprego, racismo, discriminação social. O que podemos fazer em nosso âmbito para combater esses problemas? Não adianta querer ser espírita no plano espiritual. Podemos e devemos estudar a moral espírita em sua teoria. Mas não há como fugir: a sua aplicação prática será, quer queiramos ou não, na realidade concreta, enfrentando esses problemas do cotidiano. A polêmica ideia de que o Brasil está destinado a cumprir o papel de Coração do Mundo e Pátria do Evangelho sempre foi acompanhada de reflexões muito entusiastas. Se ele realmente tem uma missão histórica a realizar, então é preciso começar a pensar o Brasil de um ponto de vista mais realista. Só assim poderemos cumpri-la. O Evangelho apresenta a mais elevada fórmula de vida político-administrativa aos povos da terra. Os ideais democráticos do mundo não derivam senão do próprio ensinamento de Jesus, nesse particular, acima da compreensão vulgar das criaturas. A magna questão é encontrar o elemento humano disposto à execução do sublime princípio. Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de autoridade e evidência, mas geralmente se encontram excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no imediatismo do mundo.

A força das coisas possibilita a mudança, mas não construirá uma sociedade mais justa, mais livre, mais feliz, sem que cada família, cada grupo, cada cidade, cada nação elabore seu projeto, organize sua ação para chegar a essa sociedade melhor.    Livro dos Espíritos – Questões 860 e 1019

Bônus extras para suas reflexões

“Para os espíritas, finalmente, o Cristianismo não é apático. Se, na realidade, o cristão ficasse apenas na fé, rezando e contemplando o mundo à grande distância, sem participar do trabalho de transformação do homem e da sociedade, jamais a palavra do Cristo teria a influência ponderável. O verdadeiro cristão, o que tem o Evangelho dentro de si, e não apenas o que repete versículos e sentenças, não pode cruzar os braços dentro de um mundo arruinado e poluído pelos vícios, pela imoralidade e pelo egoísmo. Alterar essa estrutura social que fomenta o egoísmo em todos os grupos sociais é providência urgente.”
— Deolindo Amorim. Trecho do livro O Espiritismo e os Problemas Humanos.

“O Espiritismo se liga a todos os campos das atividades humanas, não para entranhar-se neles, mas para iluminá-los com as luzes do Espírito. Servir o mundo através de Deus é a sua função e não servir a Deus através do mundo. Por tudo isso, devemos entender que são fundamentais o Espiritismo e a Política para a construção de Uma Nova Sociedade.”G
—Herculano Pires.  Trecho do livro O Centro Espirita.

“O chamado de uma nova ordem social está clamando no coração do mundo. E o mundo não pode deixar de atendê-lo, porque é um imperativo do progresso terreno, uma lei maior do que as leis transitórias dos homens, é a expressão da própria vontade de Deus.”
— Herculano Pires.  Trecho do livro O Reino.

“Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos.”
—Deputado Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

Sugestões

  • O espírita pode e deve estudar e refletir sobre os princípios político-filosófico-espíritas no Centro Espírita, pois eles estão contidos em O Livro dos Espíritos, Parte Terceira, Das Leis Morais.
  • Confrontar os fundamentos morais e objetivos do Espiritismo com os fundamentos morais e objetivos dos partidos políticos, verificando de forma coerente qual ou quais deve apoiar e até mesmo participar como membro atuante, se tiver vocação para tal, sabendo, no entanto, da responsabilidade que assume nesse campo, já que sua militância deve sempre estar voltada para o interesse do ser humano, em seus aspectos social e espiritual. Para isso, sua ação política deverá estar em harmonia com os valores éticos (morais) do Espiritismo que, em última análise, são fundamentalmente os mesmos do Cristianismo;
  • Participar de organizações e movimentos que propugnem pela Justiça, pelo Amor, pelo progresso intelectual, moral e físico das pessoas. Exemplos: clubes de serviços, sindicatos, associações de classes, diretórios acadêmicos, movimentos de respeito e defesa dos direitos humanos, etc.;
  • Fazer do voto um elevado testemunho de amor ao próximo; Considerando que a sociedade humana é dirigida por políticos que saem das agremiações partidárias e suas influências podem ajudar ou atrasar a evolução intelecto-moral da humanidade, o voto, realmente, é uma forma de exprimir o amor ao próximo e à coletividade; Deve, pois, analisar se a conduta do candidato político-partidário tem maior ou menor relação com os princípios morais e políticos (aspecto filosófico) do Espiritismo;
  • Participar conscientemente da ação política na sociedade, sem relegar o estudo e a reflexão do Espiritismo a plano secundário. Pelo contrário, o estudo e a reflexão dos temas espíritas deverão levá-lo a permanente participação, objetivando a aplicação concreta do Amor e da Justiça ao ser humano, seja individual ou coletivamente.

 

Amplie seus conhecimentos. Bibliografia sugerida:

  • Espiritismo e Política: contribuições para a Evolução do Ser e da Sociedade. Aylton Paiva. Editora FEB.
  • O Espiritismo e a Política para a Nova Sociedade. Aylton Paiva.
  • Espiritismo e Formação Política. Paulo R. Santos. Editora EME
  • Heróis da Paz: O que Ganhadores do Prêmio Nobel da Paz Têm a Nos Dizer. Irwin Abrams. Editora Gutenberg
  • Espiritismo: Política e Cidadania. Leda Marques Bighetti. Editora Batuira.
  • O Partido. Robson Pinheiro. Editora Casa dos Espíritos.
  • A Quadrilha. Robson Pinheiro. Editora Casa dos Espíritos.
  • Movimento Universitário Espirita. Artigo. Editora Alameda
  • Eu Queria Ser Bezerra de Menezes. Mauro Camargo. Editora Lachàtre
  • Esculpindo O Próprio Destino. André Luiz Ruiz. Editora IDE
  • Políticos No Além. Luiz Antônio Milecco. Editora Lachàtre
  • Rumos para Uma Nova Sociedade – O Espiritismo e as Ciências Sociais. Autores Diversos – São Paulo. Edições USE.
  • Estudos de Filosofia Social Espírita.  Ney Lobo – FEB
  • O Livro dos Espíritos. Allan Kardec.
  • O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec.
  • A Gênese. Allan Kardec.
  • Obras Póstumas. Allan Kardec.
  • O Reino.  J. H. Pires/Irmão Saulo.  São Paulo. Editora Edicel.
  • O Espiritismo e Os Problemas Humanos. D. Amorim & H. C.Miranda. São Paulo: Editora USE.
  • Os Grandes Líderes. Martin Luther King – Nova Cultural.
  • Como Não Ser Enganado nas Eleições.  Gilberto Dimenstein – Editora Ática.
  • Elementos da Engenharia Social. Décio Silva Barros. Editora do Escritor – SP.
  • A Inteligência Espiritual – Espiritualidade nas Organizações. Vitório César Mura de Arruda. Editora Ibrasa
  • A Longa Capa Negra. Rubens Saraceni. Editora Madras
  • JK – Caminhos do Brasil. Woyne Figner Sacchetin. Editora Lachàtre
  • Getúlio Vargas em dois mundos. Wanda A. Canutti. Editora EME.
  • Legião. Robson Pinheiro. Editora Casa dos Espíritos
  • Senhores da Escuridão. Robson Pinheiro. Editora Casa dos Espíritos
  • A Marca da Besta. Robson Pinheiro. Editora Casa dos Espíritos

Pense nisso

“Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Não posso ficar no meio de todas essas maldades sem tomar uma atitude.”
— Martin Luther King. Trecho do livro Os Grandes Líderes.


Crédito: Texto original de Osman Neves Albuquerque, adaptado por Marcos Leão.
 http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/comportamento/espiritismo-e-politica.html

14 Comentários

  • Antonio Augusto Galvão de Araújo disse:

    O detalhe é q teremos q deixar nossa zona de conforto!!!😣😥😁???¿??

  • Uamaury Ribeiro de Oliveira disse:

    Independentemente de religiões, crenças , gênero, ideologia política, ou quaisquerquer outros rótulos, Somo Seres Humanos e a Lei É Única…Amor ao Próximo como A Nós mesmos…
    Devemos, temos a Obrigação de participarmos ATIVAMENTE da implantação do Reino Divino na Terra…sendo nós mesmos, errando e acertando, mas com a Luz da Divina Presença em nossos Corações…Com o firme propósito de fazer o Bem…de sermos Guardiões do Plano Divino para todos…e vivendo intensamente o momento em que fomos escalados para viver em nossa jornada de crescimento Espiritual… Não há outra maneira de aprender a não ser o de vivenciar as experiências… Portanto ajo em nome da minha consciência e com a certeza de estar contribuindo assim com a implantação do Governo Divino do Progresso e evolução Espiritual da Humanidade Terrestre…Forte Abraço!

  • Antonieta disse:

    Claro que Política, Ecologia,Economia e etc. tem tudo haver com o Espiritismo!Se eu não for exilada da Terra e a ela retornar, que sociedade vou encontrar no futuro?Que futuro eu quero para este planeta?
    Pense bem…

  • patrimarie disse:

    Otimo texto. Muito a refletir… qual será o meu papel??

  • Paulo Borges disse:

    Concordo que nós espíritas, e outros religiosos e espiritualistas, devemos nos posicionar em relação à política. Pode-se dizer que posicionar-se é um dever do cristão, porque Jesus foi enfático em defender as leis divinas e os valores cristão separando o que vem do homem e o que vem de Deus. Inclusive não vejo nenhum problema em um político se declarar espírita ou espiritualista, ou espíritas irem às ruas protestar pelo que acreditam. É perfeitamente natural que os espíritas se organizem e lutem pelos valores éticos e cristãos que apreenderam e que defendem, caso contrário iríamos nos entregar aos maus.

    Já quanto ao espiritismo, e às outras doutrinas cristãs e espiritualistas, creio que não deve se posicionar. Seu papel é outro, a politica dos homens é transitória e a área de atuação do espiritismo é muito mais vasta. Conflitos de interesses e de crenças políticas não devem ser levados à casas espíritas e espiritualistas, seu partido e seu regime é o de Jesus.

  • Paula disse:

    Robson,
    Ótimo o teu comentário de que o povo tem de participar se quer mudanças, pois nada vai cair do céu. Na verdade é bem evidente que o povo brasileiro quer mudanças sómente no externo, mas sem mudar nada dentro de si próprio primeiro.
    O país está nessa situação de desvio de dinheiro público, corrupção, falta de segurança, inversão de valores e tudo mais que já sabemos pois o povo esteve ausente por completo, um total abandono do país e agora querem que tudo se solucione por um passe de mágica. Realmente falta maturidade!
    Enquanto cada um não se conscientizar que nas tarefas comuns do dia a dia o enfoque tem de ser outro a coisa não muda, ou seja, não pode existir mais a desonestidade, o levar vantagem (a lei de Gerson não pode existir mais), a mania de falar mal dos outros (isso é realmente crônico no brasileiro), de se ofender com tudo, de detestar o patrão que lhe dá o emprego e o empregado não quer fazer suas tarefas e depois vai denunciar o patrão para ter vantagens….É uma podridão individual absurda e as pessoas nao se dao conta de que se não melhoram individualmente, como querem que os políticos sejam honestos?
    Acho que os centros espíritas deveriam de uma forma muito mais enfática, atravéz dos espíritos que enviam mensagens e incorporam, dar um aperto nos seus seguidores, mesmo que os médiuns também tenham a mesma mente deturpada dos demais.
    Você e outros poucos médiuns que eu conheço já estão desbravando essa vereda e mostrando uma face nova que o Espiritismo no Brasil em geral não toca. De que serve ir ao centro só tomar passe e escutar mensagens?

  • felipe disse:

    oi gente
    gostei muito desse site, parabéns pelo trabalho. 😉

  • Franco Pimentel disse:

    Ótimo texto Robson,
    Apenas não sou muito simpático à bandeira e a imagem de Kardec Juntas. Me lembra mais ao falso ao movimento patriótico dos últimos anos, que de patriótico não tem nada, senão uma busca por interesses pessoais.
    Costumo sempre dizer que o cristianismo é “pacifista” e não “passivista”. Todo pacifista procura lutar contra as dificuldades da vida principalmente as impostas por aqueles que desejam o somente o poder e a posse material. O passivista, não. Por outro lado se omite-se das decisões creditando seu destino nas mãos de Deus… Um Deus determinista e inventado por aqueles que creem serem sua imagem e semelhança. Como resultado disso controlam, ludibriam e exploram os seres, fazendo de tudo para que os mesmos não se possam opinar, pois somente abastados da sociedade podem liderar e guiar. Acredito que para nos tornamos cristãos precisamos nos utilizar de todos os meios pacíficos, sobretudo, contrapondo-se às diferentes formas de estratégias aflitivas, senão àquela que cada um pode e deve carregar em sua vida particular, junto ao meio mais circunscrito à sua individualidade. Entretanto, como soldado do bem na dura luta cotidiana e social, deve em oferta particular ao que lhe cabe como “ação ética”, deve ao limite promover à causa cristã seu esforço carregando, além da cruz pessoal, a cruz gerada no enfrentamento da implantação do ideal (o bem e o amor) frente à sua estada num mundo de escândalos como é o mundo humano.
    Considerando o exposto acima é impossível não relembrar a obra do Humberto que você já citou. Obra que infelizmente (por má compreensão) tem levado milhares de espiritas à derrocada da passividade, justamente porque, em meio à mistura fugidia de um espiritualismo religioso e a acidez do pensamento individualista, confunde, pátria com ares de extrema direita e evangelho com biblismo, onde o lugar dado à política é estar nas mãos das classes abastardas, assim como sucedia-se no séculos XVIII e XIX. Dialeticamente podemos compreender e aceitar que todos os feitos da história da humanidade tiveram seu lado positivo e Jesus sábio, consegue, pacificamente, interferir nos processos mais obscuros, enviando-nos missionários afim de que possamos perceber que a mudança real é que coloquemos em prática de modo traduzido às novas gerações – fugindo da pura e simples “representação de textos sagrados” – ações significativas que façam diferença sem o medo de se “queimar” ou ser “queimado” na fogueira. Não podemos deixar de notar que, por mais que o discurso das classes abastadas da sociedade seja, hoje, o anti-escravista, não é bem esse o modelo de sua prática e princípios que ainda assolam o território brasileiro e estrangeiro. O escravismo no Brasil e na América do Norte, foi vencido alhures ( penso mais que tenha sido escondido), não por uma classe consciente da importância do combate a essa “vergonha humana”, mas por negociações políticas, na distribuição dos centros de interesses das partes. Os verdadeiros libertadores da escravidão foram homens e mulheres comuns que se entregaram de corpo e alma à causa sem esperar nada em troca negociando com os Césares da sociedade, deixando a eles o que a eles pertencia e à Deus o que pertencia a Deus. Porque todos aquele que é homem de bem não teme o escândalo. E suas obras prevalecem na esteira do real e do necessário e não somente na forma passageira do supérfluo.

    O que quero dizer com isso é que o espirita, como cristão por excelência, deve enfrentar sem medo a “cruz social” de ser queimado, ser preso, ser escandalizado, de dizer “NAO” ao convencionalismo histórico e moralista dos exploradores e”SIM” ao respeito aos direitos de bem estar sociais para toda a coletividade, de trabalho, de saúde, de educação, de justiça, de lazer.

    Pois, se ninguém vem ao mundo para fazer o mal (Deus não permite), então é sinal de que todos nós ao reencarnarmos possuímos a consciência do bem e somente depois de aqui estados atropelamo-nos nas esteiras da ignorância dando continuidade aos horrores do passado. Nossa cruz é justamente a de “fazermos o bem num mundo de maldade”, trilhando os passos de Jesus. Como ele mesmo diz: “[…] Ai do mundo, por causa dos escândalos. Porque é necessário que sucedam escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo.” (Mateus, XVIII: 6-11).

    O que podemos dizer de tudo isso é que a política, ou a “Polis-ética”; a ética da polis; a ética social, como desejamos tratar o assunto, não é apenas alusão passageira; É fato fundamental na obra mesma de Jesus que nos inspira que: para se fazer o bem devemos usar todos os recursos, inclusive sacrificar-se á “justiça” dos poderosos e togados e à injustiça dos pobres manobrados.

    Entretanto, engana-se aquele que pensa que a ética da polis circunscreve-se apenas no entorno dos governantes e dos representantes social. Fada-se à isolar-se e a contentar-se somente com os mandos e desmandos de obsessores escandalistas. Não nos enganemos amigos, o mundo de regeneração somente se instalará, quando 50% + 1 da população mundial, for eticamente boa para tratar do seu próximo assim com trata dela mesma. Alguém, por favor, queira me explicar o que ocorre quando pessoas altamente inteligentes de nossa “pátria brasileira” são capazes de sustentar justificativas e emocionar-se com o programa “médicos sem fronteiras” voltado para países do oriente médio e africanos e ao mesmo tempo criticar a iniciativa do “Mais médicos” (referencia para a ONU), no Brasil. Porque isso? Acho que tenho a resposta: a sociedade abastada acredita que o primeiro é caridade e o segundo, política.

    Para finalizar amigos, deixo ainda uma pequena provocação para ser refletida. Se por ventura, as ações advindas da política, conseguisse diminuir significativamente a miséria em nosso pais, aonde iríamos entregar as tradicionais “sopas da caridade” semanalmente produzidas em milhares de casa espiritas? Para qual frente iriam os milhares de trabalhadores “desempregados”?

    • Marcos Leão disse:

      Olá Franco Pimentel,
      É uma alegria tê-lo estudando com a gente. Li suas considerações e as achei bastante interessantes e atuais. Ao final de seu texto você faz uma saudável provocação e não pude resistir a ela. Pois bem, seguem minhas reflexões. Franco, segundo os espíritos o espiritismo é uma ciência que tem como objetivo revelar a nós homens a existência e a natureza do mundo espiritual, e por consequência suas variáveis e infinitas relações com o mundo físico.
      Paralelo a esses conteúdos nos é apresentado novos conceitos de natureza transcendente e também o aprofundamento dos já existentes a respeito de temas como; a existência de Deus, do Universo, dos homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida. Passamos a receber por exemplo o esclarecimento do que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da existência terrena com suas venturas e desventuras.
      Esses conceitos novos sobre nós e tudo o que nós cerca, permeias, pelo menos eu vejo e sinto assim, todas as áreas do conhecimento e do comportamento humano, sejam eles científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social, etc. Estudado, analisado e praticado em seus aspectos fundamentais indubitavelmente nos equipa de forma satisfatória para lidar com os desafios cotidianos, despertando em nós uma força de ação com maior abrangência. Portanto se estivermos envolvidos pela atmosfera progressista apresentada por exemplo pelos Guardiões da Humanidade não correremos o risco de como você diz, “Perder nossos empregos”, pois entenderemos que as ações nas quais estamos nos movimentando vão muito além de um prato de sopa ou um pedaço de pão, sem menosprezar é claro ações sociais desse porte que oferecem ao ser humano a uma melhor qualidade de vida.
      Não há como negar que uma grande parcela de nós, já tem desperto em si o entendimento de seu real papel em todo este projeto dos espíritos e que o mesmo se fortalece a medida que a sociedade encarnada e desencarnada segue sua trajetória em direção a sua ascensão moral e espiritual que inevitavelmente esbarrará na maneira com que nos relacionamos com as circunstâncias do mundo físico. Acredito que essa será a estrada que suprirá as necessidades básicas de espíritos encarnados promovendo entre várias mudanças a tão sonhada justiça social.
      Quando esta realidade se fizer presente em nossa sociedade, acredito que teremos diante de nós novos desafios e possibilidades de trabalhos inimagináveis. Portando trabalhemos, façamos o melhor e Deus proverá com sabedoria e justiça sempre.
      Bons estudos e um grande abraço!

  • Andreia disse:

    Quanto conteudo de qualidade encontrei aqui no site. Agradeço por compartilhar. Sucesso. abraço

  • Acho de muita relevância a política espírita ,porque disciplina nossos comportamentos sociais frente a natural provação ou expiação que por ventura venhamos a transpor através do exercício da lei de justiça ,amor e caridade,que é a principal.Jesus ilumine as mentes ,conraçãos e espíritos de toda humanidade.

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